A minha PRIMEIRA carteira

Era final de outubro de 2015, uma apendicite havia me deixado de molho por uns dias e a inquietude me pedia para fazer algo. Passava horas assistindo a séries e, quando não, ficava observando meu quarto e o que havia nele.


Foi em um desses momentos que reparei que minha carteira, ainda a minha primeira, que havia ganhado do meu pai, já não estava muito bem. Feita de material sintético, a lateral onde ela dobrava estava descascando e com os plásticos internos já todos ressecados e quebradiços.


Fiz algumas buscas pela internet e encontrei apenas mais do mesmo. Aliás, para não dizer que não havia nada “diferente”, encontrei 2 ou 3 empresas que fabricavam algo próximo do estilo que eu buscava, mas que eu não tinha condição de adquirir.


E foi assim, com a decepção de não encontrar nada que me atendesse, que resolvi eu mesmo fazer a minha própria carteira.


Havia, uns meses antes disso, lido um texto referenciando um vídeo onde um cara fazia uma carteira de couro. Fui assistir a esse vídeo novamente para entender o que era levado em consideração ao projetar uma carteira e descobrir se eu daria ou não conta do recado. Acreditei que sim.


https://papodehomem.com.br/como-fazer-uma-carteira-de-couro


Juntei isso ao fato de ter crescido em um ambiente onde o trabalho manual esteve sempre muito presente: meu pai com a marcenaria e minha mãe com o bordado, que fui colocar essa ideia no papel.


O projeto de dimensões foi feito pensando em o que eu realmente precisava ter comigo diariamente. CNH, cartões e, às vezes, dinheiro.


Coloquei isso tudo em cima de uma folha de papel e comecei a desenhar como a carteira seria. “Folgas” na largura para considerar a costura, onde as dobras seriam feitas e qual a profundidade dos bolsos que ela teria foram os principais pontos.


Sai daí com um projeto: Uma carteira simétrica, que dobrasse ao meio e ambos os lados fossem iguais, com dois bolsos em cada um deles.


Encontrei um fornecedor de couro que vendia peças fracionadas em medidas certas. Acho que até hoje é o único do Brasil a vender couro dessa forma. Fiz a compra no dia 20/10/2015. Lembro de ter forçado a barra da cirurgia quando a ansiedade não teve paciência em esperar o carteiro entregar e foi direto nos Correios buscar o pacote.


A cor que havia escolhido era um “amarelo queimado”, segundo a descrição do produto. Já muito afim de fazer algo realmente diferente, optei ainda por uma cor de costura não tradicional: roxo. Comprei agulhas e linha na quantidade que precisava em um armarinho na cidade no caminho de volta para casa.


Um pouco diferente do vídeo que tomei como referência, eu não tinha um cinzel (ferramenta que faz furos em sequência). Em substituição, usei uma carretilha para garantir que os furos teriam a mesma distância entre eles e, para furar, prego e martelo.


Com o couro em mãos, validei aquilo que havia projetado (afinal, o couro estava contado). O primeiro corte que faço geralmente é em alguma medida em comum entre as peças que serão usadas na construção da carteira. O passo seguinte é separar essas peças nas suas devidas dimensões. Com as 3 peças que são usadas nesse modelo em mãos, usei um CD de referência para o corte circular dos bolsos da carteira.


A costura foi feita de forma bem desajeitada e, como eu não fazia ideia de como fazer o arremate, simplesmente dei um nó no fim de cada costura.



Essa mesma ideia é usada em um dos meus modelos atuais, Primeira.


O resultado disso foram alguns amigos impressionados com o resultado e pedindo que eu fizesse carteiras para eles.



Com esses pedidos, veio deles mesmos o questionamento: “Qual será o nome da sua marca?”.

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